"Este é o número mais alarmante: estudantes mais pobres representam apenas 3% dos 50 mil colocados

23 Aug 2026
Estudantes mais pobres representam apenas 3% dos 50 mil colocados

O presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) manifestou-se este domingo preocupado com o número de estudantes mais pobres com colocação na 1.ª fase do concurso nacional de acesso, que representam apenas 3% dos quase 50 mil colocados.

"Esse é o número mais alarmante", considerou José Moreira, sublinhando que o contexto socioeconómico das famílias continua a determinar o acesso de muitos jovens ao ensino superior e, em particular, aos cursos mais competitivos.

Cerca de 1.600 alunos beneficiários do escalão A de ação social escolar conseguiram colocação na 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, mais do que em 2025.

Ainda assim, e apesar do aumento face ao passado, os estudantes mais pobres representam este ano apenas 3% do total de 49.991 colocados, quando em 2025 representavam 3,5%.

A maioria dos estudantes carenciados ingressou através do contingente prioritário criado em 2023, e utilizado este ano por 1.252 alunos.

O contingente prioritário para beneficiários de ASE A foi criado em 2023, pelo Governo liderado por António Costa, passando a reservar 2% das vagas da 1.ª fase do concurso para os estudantes mais carenciados e que têm normalmente maiores dificuldades no acesso ao superior.

Nesse ano, o número de beneficiários de escalão A duplicou no ensino superior, chegando aos 2.800 jovens carenciados.

Para o presidente do SNESup, o contexto socioeconómico das famílias continua a ser determinante nas escolhas dos estudantes no final do ensino secundário e a barreira é particularmente alta nas formações mais procuradas.

“Existe uma correlação direta entre as formações que exigem uma nota de entrada mais elevada e a situação socioeconómica dos alunos que entram para estas formações”, afirmou José Moreira, referindo-se a uma espécie de filtro no acesso àqueles cursos.